Lema do Ano

20/09/2017
Vamos construir uma vida com sentido!

 

Há uns anos atrás, um jesuíta que havia vivido mais de 40 anos no Japão, dizia que ali, nas terras orientais, as pessoas preocupavam-se mais com os processos do que com as conclusões: mais do que a flor, é o crescimento da flor que importa; mais do que as sínteses ou os princípios, é o pensamento que os desenvolveu que importa. Mas cá no Ocidente, pelo contrário, ele sentia que vivíamos mais preocupados com as conclusões do que com os processos.

Na verdade, muitas vezes perseguimos as fórmulas, o «manual» do utilizador para as mais diversas situações das nossas vidas: como ser feliz, como ajudar um filho a crescer, como ser mais produtivo e eficaz, como atingir a autorrealização, como salvar um casamento e, claro… tudo em cinco passos ou, às vezes, dez. Mais ou menos conscientes disso, buscamos as fórmulas porque queremos os resultados imediatos para dar sentido aos nossos projetos e às nossas histórias. No entanto, a sede de sentido parece que tarda em ficar saciada pois não encontra nada à sua medida.

Mas o facto de não conseguirmos saciar esta sede não nos deve desanimar nem nos deve levar à conclusão de que «qualquer coisa serve». Esta sede deve ser para nós o sinal de que as fórmulas, as receitas rápidas, os resultados imediatos não nos bastam; deve ser sinal de que os nossos verdadeiros anseios não são o poder, a fama ou prestígio, mas é, de facto, sermos reconhecidos no amor, aceitarmos que somos amados e que não estamos sozinhos, que a Vida nos dá tantas razões para agradecer e que o mundo ainda é uma realidade inacabada na qual cada um ainda tem tanto para construir em nome do Bem. Por isso, o lema deste ano é um convite a entrar num processo de reconhecer, agradecer e construir.

Quando entramos no colégio, todos os dias, Pedro Arrupe recebe-nos de joelhos, sozinho, em silêncio, numa atitude de aparente passividade e fuga do mundo. Mas é só mesmo aparente. Na verdade, é o mundo todo que está ali naquele coração humano. O motor de toda a sua ação não é uma fórmula, uma filosofia, uma ideia ou uma doutrina. O seu motor é uma pessoa diante da qual Arrupe se oferece inteiramente tal como uma criança pequena se confia ao pai e à mãe. Para este homem, essa pessoa é Jesus. É daí que nasce o seu sentido de humor, de bondade, de atenção, de justiça, de verdade e de confronto. «Tirem-me Cristo e tiram-me tudo», dizia Pedro.

Então e nós? Talvez nós também precisemos de reconhecer quem ou o quê é o meu «tudo». E então, perceberemos onde está depositado o sentido da nossa vida. Essa é uma das missões da Pastoral junto dos alunos, professores e famílias, convidando-os a atravessarem este processo de construir uma vida com sentido!

Bom ano!